O skate feminino brasileiro vive um dos seus momentos mais significativos. No dia 29 de novembro, São Paulo recebeu o Congresso Feminino de Skateboarding, iniciativa organizada pela CBSk dentro da Skate Week e pensada especialmente para reunir mulheres de todo o país em um espaço de troca, fortalecimento e construção coletiva. O encontro, que movimentou mais de 80 participantes entre skatistas, profissionais da mídia, pesquisadoras, treinadoras e representantes de projetos sociais, tornou-se um marco fundamental para quem acredita em um cenário mais justo, amplo e representativo no skate.


Ao longo de três painéis intensos, o Congresso abriu diálogos sobre temas essenciais para o presente e o futuro da cena feminina. As discussões sobre audiovisual e indústria do skate ressaltaram como contar nossas próprias narrativas é urgente, seja por meio de vídeos, fotografia ou comunicação independente. Mulheres como Suellen Amaral, Tatiane Marques e Marilia Gabriela levantaram reflexões profundas sobre mercado, estética, acesso, e sobre a importância de registrar a história do skate feminino com o olhar de quem vive essa realidade. Falaram sobre presença, sobre romper barreiras e sobre como uma câmera pode transformar não apenas uma cena, mas uma geração inteira.


No segundo momento, o debate sobre alto rendimento colocou em evidência a necessidade de ampliar a formação de mulheres treinadoras, técnicas e profissionais capacitadas para atuar no esporte em níveis nacionais e internacionais. Com a presença de especialistas ligadas ao Comitê Olímpico do Brasil, o painel destacou que não basta ter mulheres competindo; é preciso tê-las também liderando, planejando, orientando e ocupando espaços estratégicos dentro do sistema esportivo. Treinar mulheres para ocupar esses postos é um passo essencial para que o skate feminino se torne, de fato, sustentável e estruturado a longo prazo.

O Congresso também deu voz a modalidades que muitas vezes ficam fora dos holofotes, como o downhill, o freestyle e outras expressões não olímpicas. Representantes dessas frentes reforçaram que o skate vai muito além das pistas mais mediáticas e que fortalecer a diversidade de práticas é fortalecer a essência do skateboarding. Projetos sociais, instrutoras, atletas independentes e mulheres que constroem suas trajetórias longe das grandes competições trouxeram pautas que precisam estar no centro das discussões nacionais, reafirmando que toda forma de skate é válida, potente e digna de investimento.

Ao final do evento, as participantes aprovaram propostas que sinalizam um futuro mais estruturado e promissor. Entre elas, a criação de um festival anual de audiovisual feminino, o desenvolvimento de estratégias de publicidade voltadas para mulheres, programas de formação para treinadoras e ações de incentivo às modalidades não olímpicas. Cada pauta aprovada reforça que o Congresso não foi apenas um encontro simbólico, mas um passo concreto para transformar demandas antigas em ações reais.


O Congresso Feminino de Skateboarding deixa um recado claro: quando mulheres se reúnem para pensar o skate, o esporte inteiro evolui. A construção coletiva que aconteceu em São Paulo representa mais do que discursos, representa movimento, prática e compromisso. Para nós, das Divas Skateras, é inspirador ver tantas mulheres assumindo o protagonismo da própria história, reivindicando espaço, reconhecimento e estrutura para continuar avançando.
CRÉDITOS:
FOTOS: CONGRESSO FEMININO DE SKATEBOARDING
ADAPTAÇÃO DE TEXTO: LORENA NUNES