Afinal, o que é skate slalom? Conheça a modalidade com Marina Nóbrega

Quando pensamos em skate, modalidades como street e park costumam ser as primeiras lembradas. Mas o skate é formado por diferentes estilos, e um deles é o slalom, modalidade que combina velocidade, equilíbrio, precisão e controle do skate.

No skate slalom, a skatista percorre uma pista formada por cones, passando por eles de maneira alternada: um pela direita, outro pela esquerda. O objetivo é completar o percurso no menor tempo possível, sem pular, derrubar ou deslocar os cones.

Apesar de parecer simples, o slalom exige muita técnica. Durante a prova, é preciso controlar o corpo, manter o ritmo das curvas e escolher rapidamente a melhor linha para atravessar o percurso.

As provas acontecem em uma superfície firme, geralmente plana ou inclinada. Os cones são posicionados ao longo do percurso, com distâncias que mudam de acordo com o tipo de prova.

O tempo da skatista é cronometrado do início ao fim. Quando um cone é derrubado ou retirado da marcação, uma penalidade pode ser acrescentada ao tempo final. Também existem situações que podem causar a desclassificação da volta, como pular cones ou entrar no percurso pelo lado errado.

As competições podem ser realizadas em pista única, com uma pessoa por vez, ou em pista dupla, quando duas skatistas percorrem trajetos semelhantes ao mesmo tempo. Nesse segundo formato, as atletas disputam baterias em confronto direto.

A Confederação Brasileira de Skateboarding reconhece diferentes disciplinas dentro do slalom:

Tight Slalom: possui cones mais próximos e curvas curtas, exigindo movimentos rápidos.

Straight Slalom: apresenta um percurso mais reto e regular, no qual a skatista precisa manter velocidade e ritmo entre os cones.

Hybrid Slalom: mistura trechos retos, curvas e diferentes distâncias entre os cones.

Giant Slalom: apresenta cones mais afastados, curvas mais abertas e velocidades maiores.

Super Giant Slalom: utiliza percursos mais longos, curvas amplas e velocidades ainda mais altas.

Cada formato trabalha habilidades diferentes. Em alguns, o principal desafio é fazer curvas rápidas e curtas. Em outros, a skatista precisa lidar com mais velocidade e realizar mudanças de direção maiores.

Para conhecer melhor a modalidade, o Divas Skateras conversou com Marina Nóbrega, também conhecida como Nina (@ninameconta). A skatista é 3x campeã brasileira e já representou o país em competições internacionais e utiliza seu trabalho para ampliar a visibilidade do slalom e do skate feminino.

1. Como você conheceu o skate slalom e o que mais chamou sua atenção na modalidade?

“Eu conheci o slalom através do Birinha, o cara é fera do downhill slide e estava me ensinado a andar de skate, íamos sempre no Pacaembú andar. E um certo dia, acabou me levando para andar de skate slalom em Caeiras.


Nesse dia, fiz duas coisas novas dropei da rampa pela primeira vez na vida e contornei meus primeiros cones. O que mais me chamou atenção e me fez me apaixonar pelo slalom foi como em um único dia eu consegui subir em um skate e já contornar alguns cones, isso era uma coisa muito incrível para mim. Eu tinha andado pouquíssimas vezes de skate antes disso. Então o fato de estar sobre o skatinho e conseguir fazer esse feito me fez me sentir bem. Conversando com a galera que estava andando, o pessoal do team Brazil, descobri que andavam na USP, do ladinho de casa. Depois desse dia comecei a aparecer lá e andar com eles. O skate depois disso virou meu momento de terapia onde conseguia coloca foco no presente e estar presente.”

2. Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória no slalom e o que ele representou para você como skatista?

“Por enquanto minha vitória de terceiro lugar no colorado. Essa foi a minha maior superação. Estávamos no momento de treino e caí faltando 5 minutos para começarmos, eu caí muito feio, tenho as marcas até hoje. Ralei os dois cotovelos as mãos e metade da coxa e ainda dei sorte. Outra competidora, a Leiola, caiu um dia antes de cara no chão no mesmo lugar. Então já sabíamos que estava perigoso o chão mais pro fim da ladeira!


Uma das competidoras me ajudou com os primeiros socorros, me enfaixei toda e competi com a adrenalina no sangue por que eu sabia que quando esfriasse todas aquelas queimaduras iam doer muito!


Nesse dia consegui pegar terceiro lugar no tight e ainda pude correr com competidoras que sempre quis correr contra. Lynn kramer e a Judi Oyama, duas mães do slalom que até hoje competem e mostram que não tem idade e nem gênero para ser atletas de alta performance!”

3. Como você enxerga a participação das mulheres no skate slalom e o que ainda precisa mudar para que a modalidade cresça no Brasil?

Hoje sou a única que compete mundialmente, a primeira a trazer medalha para nosso país e depois de mim já vieram mais 6 mulheres que praticam assiduamente o slalom no Brasil. Aos pouquinhos a gente vai aumentando essa galera.

É uma das modalidade mais antigas competitivas que existem e acho que existem poucas praticantes por nunca terem experimentado esse ventinho na cara e o carving entre os cones. Eu venho tentando fazer isso nas minhas redes sociais e no meu dia a dia. Sempre faço clínicas de slalom, levo em eventos de ladeira e hoje faço um encontro semestral chamado Aí que downhill! com outra mana a Thiz bertoni que tentamos mostrar para mulheres que o skate existe mil e uma modalidade e não tem idade pra começar. Não só o slalom com o downhill slide, speed e Surfskate que fica aí um spoiler que no nosso próximo encontro teremos as 4 modalidade para as mulheres conhecerem por meio de clínicas.

Acredito que se já fosse olímpico como o slalom na neve com certeza já teríamos mais skatistas na cena.”

O skate slalom ainda é pouco conhecido por parte do público, mas possui uma comunidade que trabalha para fortalecer as competições, formar novas atletas e apresentar a modalidade para mais pessoas.

Ao compartilhar sua trajetória, Marina também ajuda outras mulheres a conhecerem novas possibilidades dentro do skate.

O Divas Skateras agradece à Marina Nóbrega pela participação e por dividir suas experiências com o público. Sua presença contribui para ampliar o espaço do skate slalom e fortalecer a participação feminina em diferentes modalidades.

CRÉDITOS

FOTOS DE ARQUIVO PESSOAL DIGITAL

TEXTO DE LORENA NUNES