Capacitação abre espaço para mulheres na arbitragem do skate

Quem vive o skate sabe que existem muitas formas de fazer parte da modalidade. Além de andar, competir e participar de eventos, também é possível atuar em áreas técnicas que ajudam a construir e desenvolver as competições, como a arbitragem.

Pensando na formação de novos profissionais para essa área, a Confederação Brasileira de Skateboarding (CBSk) oferece curso de capacitação para arbitragem, com abrangência nacional. A iniciativa prepara participantes para compreender regras, critérios de julgamento e outros conhecimentos necessários para atuar em competições de skate.

Na formação mais recente, um número significativo de mulheres participou do curso, ampliando a presença feminina também em uma função fundamental para a realização das competições. Entre essas participantes está a skatista Lorena Fernanda, que decidiu dar um novo passo em sua trajetória dentro da modalidade e buscar capacitação para atuar também como juíza.

A experiência mostra que a relação com o skate pode seguir por diferentes caminhos. Quem já vivencia pistas, campeonatos e manobras possui uma relação próxima com a modalidade, mas a arbitragem exige conhecimentos específicos e um novo olhar sobre aquilo que acontece durante uma competição.

Durante a capacitação, participantes têm contato com critérios de julgamento, regras e responsabilidades que fazem parte da atuação da arbitragem. Esse conhecimento é importante para compreender como as avaliações são realizadas e quais aspectos precisam ser considerados durante cada bateria.

A realização de uma formação com alcance nacional também contribui para ampliar o número de pessoas capacitadas em diferentes regiões do país. No caso das mulheres, essa oportunidade ajuda a aumentar a presença feminina não apenas entre as competidoras, mas também entre quem participa tecnicamente da realização dos campeonatos.

Esse movimento também mostra que nem toda trajetória dentro do skate precisa seguir somente pela competição. É possível permanecer na modalidade e construir novos caminhos na arbitragem, na organização de eventos, na instrução, na locução e em outras funções importantes para o desenvolvimento da cena.

Por isso, a participação de um número expressivo de mulheres na formação oferecida pela CBSk representa mais um avanço na ocupação desses espaços. Quanto mais mulheres têm acesso à capacitação, maior é a possibilidade de encontrá-las exercendo diferentes funções dentro do skate.

Para conhecer essa experiência mais de perto, o Divas Skateras conversou com Lorena Fernanda, uma das mulheres que participaram da formação, sobre o que a motivou a buscar a arbitragem e como o curso mudou sua forma de enxergar as competições:

1 — Você já tem uma trajetória como skatista. O que despertou seu interesse em fazer o curso para atuar também como juíza?

Lorena Fernanda:Eu tô ficando velha, né? Daqui a uns dias, não aguento mais dar manobras. E eu quero continuar no meio do skate, mesmo que não seja com manobras. Eu já tinha esse interesse desde a época em que eu corria os campeonatos, para entender melhor os critérios e até mesmo trampar nessa área, já que a minha região não tem muitos juízes, juízas etc.

2 — Como foi participar da formação e o que você passou a enxergar de forma diferente sobre a arbitragem depois do curso?

Lorena Fernanda: “Foi uma experiência que me abriu a mente, porque eu via como ‘atleta’ e, agora, ver o outro lado (e fazer parte dele também), entender sobre as regras e os critérios clareou bastante a minha mente, e muita coisa começou a fazer sentido.”

3 — Para você, qual é a importância de termos mais mulheres se capacitando para atuar também na arbitragem e em outras funções dentro do skate?

Lorena Fernanda: “Eu acho que, como tudo na vida, é ocupar os nossos espaços, né?

Tem muita mina boa em várias áreas, e eu boto fé que nessa também não ficam pra trás. E, pra galerinha que corre os eventos, ver uma mulher ali de juíza com certeza dá um alívio, porque mulher sabe a dificuldade da mulher, sabe a dificuldade em realizar certas manobras etc.

E nada mais justo do que ter mulheres como juízas, locutoras, coordenadoras no evento etc.”

A participação de Lorena na formação promovida pela CBSk mostra como a capacitação pode abrir novos caminhos dentro da modalidade. Para quem já construiu uma trajetória sobre o skate, conhecer outras áreas também pode ser uma forma de continuar contribuindo com a cena e levando essa experiência para novas funções.

O Divas Skateras parabeniza Lorena Fernanda e todas as mulheres que participaram da formação por buscarem conhecimento e ampliarem sua atuação dentro do skate. Que a presença delas incentive outras mulheres de diferentes regiões do país a conhecer os cursos de capacitação, buscar novas possibilidades e ocupar cada vez mais espaços na arbitragem e em outras áreas da modalidade.

ENCONTRE SUA SKATISTA/JUÍZA:

@lorensfernanda

CRÉDITOS

Fotos de Roger TilSkater e @claratekid

Texto de Lorena Nunes