Tivemos a oportunidade de conversar com Aline Dantas, primeira mulher eleita vice-presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSk), eleita em novembro de 2024 na chapa “União pelo Skateboarding Brasileiro”.
Skatista profissional com 23 anos de experiência, graduada em Educação Física e pós-graduada em Psicomotricidade e Movimento, Aline fundou a Aline Dantas Skate School, escola que democratiza o acesso ao esporte e promove inclusão social. Ao longo da carreira, instruiu mais de 800 alunos.
Como vice-presidente, ela tem trabalhado para fortalecer a estrutura do skate brasileiro, ampliando a presença de mulheres e jovens na modalidade e garantindo oportunidades em diferentes regiões do país.
Além da gestão, Aline tem liderado iniciativas voltadas para a equidade de gênero no skate, como o Fórum Feminino de Skateboarding, que reúne mulheres para discutir estratégias e projetos, e o Congresso Feminino de Skateboarding, marcado para 29 novembro de 2025 em São Paulo, onde serão deliberadas propostas para o desenvolvimento da modalidade até 2028.
A eleição de Aline e sua atuação à frente desses eventos reforçam a importância da liderança feminina no esporte, inspirando skatistas e dirigentes de todo o Brasil.

Quais são os maiores desafios que você enfrenta como mulher na gestão esportiva?
Para mim o maior desafio é lidar com as expectativas que outras mulheres depositam em mim. Quando uma mulher ocupa um espaço de representatividade, ela automaticamente se torna símbolo de esperança. Muitas vezes, porém, essas expectativas partem de experiências individuais e não de uma visão coletiva, o que as torna ainda mais desafiadoras. Meu compromisso é transformar essa confiança em inspiração, diálogo e oportunidades de crescimento para todas nós.
Quais são suas principais metas para o desenvolvimento do skate no Brasil durante este ciclo da gestão da CBSk?
Minha principal meta é ampliar a presença e o protagonismo das mulheres em todos os segmentos do skate da base à gestão. Quero que mais mulheres estejam atuando como treinadoras, juízas, dirigentes, produtoras de eventos e em tantas outras funções que constroem o ecossistema do skate. Esse é um passo fundamental para um futuro mais inclusivo e equilibrado.
Que iniciativas a CBSk tem desenvolvido para ampliar a participação de meninas e jovens no skate?
Começamos dando um exemplo dentro de casa: ampliamos a contratação de mulheres nos polos dos projetos sociais da CBSk. Hoje, metade da equipe que atua nesses projetos é composta por mulheres. Isso cria referência, fortalece a representatividade e abre caminhos para que mais meninas se sintam parte e vejam no skate uma possibilidade real de futuro.
Como foi a sua recente experiência liderando a delegação brasileira nos Jogos Pan-Americanos Júnior de Assunção 2025?
Foi, sem dúvida, um dos maiores desafios e também uma das experiências mais marcantes da minha trajetória. Estar à frente da delegação me permitiu mergulhar de verdade no universo do alto rendimento, que por si só já é transformador — e viver isso com o skate foi a realização de um sonho. Desde as reuniões com o COB, passando pela organização documental, o diálogo com as famílias e a atenção às necessidades individuais de cada atleta, cada detalhe exigiu entrega e aprendizado. Essa vivência me ensinou muito sobre gestão e liderança. É uma experiência que guardarei com carinho e que certamente seguirá guiando meus próximos passos.

Quais são suas expectativas para o Congresso Feminino de Skateboarding e que resultados você espera alcançar para a categoria até 2028?
Estou muito empolgada com o congresso, porque acredito que ele será um marco. Tenho uma missão até 2028: aumentar o número de mulheres atuando e sendo valorizadas em todas as áreas que compõem o skate. Para isso, precisamos dialogar, construir estratégias coletivas, identificar prioridades reais e, acima de tudo, persistir. Esse congresso é o primeiro passo para consolidarmos uma base sólida e duradoura para o futuro do skate feminino.
Quem ou o que te inspira dentro e fora do skate?
No skate, o que mais me inspira é a própria trajetória da modalidade: como ele surgiu, ocupou espaço e foi capaz de transformar vidas e comunidades inteiras. Fora do skate, minha maior inspiração é Jesus. É Ele quem me guia todos os dias, com amor, sabedoria, união e graça, mostrando que cada desafio pode ser transformado em oportunidade de crescimento.
Qual mensagem você gostaria de deixar para as próximas gerações de skatistas, especialmente meninas, que sonham em ocupar espaços de liderança no esporte?
Nunca deixem de sonhar! Usem outras histórias como referência, mas tenham coragem de escrever a de vocês. Sejam autênticas. Não importa onde vocês estejam hoje, acreditem que podem chegar onde desejarem. Continuem remando, acreditando e mantendo a fé. Porque quando sonhamos com coragem e caminhamos com propósito, tudo se torna possível.
Por: Estefania Lima
Fotos: Julio Detefon // Tatiana Pezzin / Fábio Castilho