No skate, nem toda manobra começa na pista. Algumas começam muito antes, dentro de casa, na rua e no enfrentamento diário contra estruturas que tentam limitar sonhos. É esse o ponto de partida de “É Isso Que Eu Quero: A História de Carla Karolina”, documentário lançado pela Black Media Skate que acompanha a trajetória da skatista alagoana Carla Karolina, conhecida como Karol.

Ambientado no bairro Vergel do Lago, em Maceió, o filme apresenta uma narrativa que vai além do skate. O documentário mergulha na realidade de uma jovem que encontrou no shape uma possibilidade concreta de mudança de vida, enfrentando barreiras sociais, culturais e estruturais para construir seu espaço dentro da cena.


E essa trajetória segue sendo escrita em alto nível. No último sábado (02), Carla Karolina conquistou o título da primeira etapa do Circuito Brasileiro de Skateboarding Pro 2026, realizada na Marina Skatepark, vencendo o Niterói Skate Pro 2026 e consolidando seu nome entre os principais destaques do skate nacional. A vitória reforça o peso da história retratada no documentário e mostra que a resistência narrada no filme se traduz também em resultado dentro das pistas.


Mas a força da história de Karol não anda sozinha. Ao lado do pai, Bob, a skatista constrói uma relação onde afeto, apoio e resistência caminham juntos. O documentário mostra como a base familiar pode ser decisiva no fortalecimento de trajetórias que muitas vezes nascem em territórios atravessados pela falta de acesso, invisibilidade e desigualdade.

Em um cenário onde mulheres, principalmente mulheres periféricas, ainda precisam disputar reconhecimento dentro e fora das pistas, a história de Carla Karolina reforça algo essencial: ocupar espaços também é uma forma de manobra.
Produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo e operacionalizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Maceió, o filme dirigido por Kamyla Ariely e Bryan Leite amplia esse debate ao registrar o skate como linguagem de pertencimento, autonomia e futuro.

É Isso Que Eu Quero documenta um movimento que cresce silenciosamente nas bordas: o de meninas que transformam o skate em ferramenta de identidade, liberdade e permanência.
Porque, no fim, o skate também é isso: insistir até acertar, na pista e na vida.
Por trás das sessões, das quedas e das conquistas, existe uma trajetória construída com escolhas difíceis, persistência e muito corre. Em É Isso Que Eu Quero, Carla Karolina abre parte dessa caminhada e mostra como o skate atravessa sua vida para além da pista.

Agora, com um título importante no circuito profissional e uma trajetória que inspira dentro e fora das pistas, sua história ganha ainda mais força.
Para aprofundar essa caminhada e entender os desafios, os aprendizados e o que move Karol dentro do skate, conversamos com a skatista sobre sua trajetória, sua relação com a família e o impacto de representar outras meninas que sonham ocupar esse mesmo espaço.
O título do documentário é “É Isso Que Eu Quero”. Em qual momento da sua trajetória você teve certeza de que o skate era exatamente esse caminho que queria seguir?
“Eu tive certeza de que o skate era o que eu queria quando percebi que, mesmo com todas as dificuldades, eu continuava voltando pra pista. Não era só sobre andar, era sobre me sentir viva, livre e forte. O skate virou minha forma de existir no mundo, independente de qualquer obstáculo.”
A relação com seu pai, Bob, aparece como uma base importante na sua caminhada. Como esse apoio influenciou sua permanência no skate, principalmente nos momentos mais difíceis?
“O apoio do meu pai e da minha família foi fundamental em tudo. Nos momentos mais difíceis, quando parecia que ia dar tudo errado, era eles que me lembrava do porquê eu comecei. Ter alguém que acredita em você de verdade faz toda diferença, porque quando a gente duvida, essa pessoa sustenta a nossa força.”
Sua história carrega questões de território, resistência e representatividade. Hoje, olhando para sua trajetória, o que você quer que outras meninas da periferia enxerguem quando veem você andando de skate?
“Eu quero que outras meninas olhem pra mim e entendam que elas também podem. Que não importa de onde vêm ou o que enfrentam, existe espaço pra elas no skate e onde mais quiserem estar. Minha história é sobre resistência, mas também sobre possibilidade.”
LINK PARA O DOCUMENTÁRIO
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CRÉDITOS
FOTOS DE ARQUIVO PESSOAL CARLA KAROLINA
TEXTO DE LORENA NUNES