Falar sobre skate feminino também é falar sobre a vida e a segurança das mulheres que constroem essa cultura.
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado um aumento preocupante nos casos de feminicídio. As mortes violentas das skatistas Giselle Alves, assassinada em Paraty, no Brasil, em dezembro de 2015, em um caso que permanece sem solução, e Veronica Lopez, nos Estados Unidos, mostram que a violência contra as mulheres também atravessa a comunidade do skate.

Cada um dos casos possui sua própria investigação e classificação jurídica. Ainda assim, suas histórias reforçam uma realidade urgente: mulheres continuam sendo ameaçadas, agredidas e mortas em contextos marcados pelo controle, pela violência sexual, pela desigualdade de gênero e por relações abusivas.
Em 2025, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica apresentada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, iniciada em 2015. O resultado representa um crescimento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% nos últimos cinco anos.
Parte do crescimento observado ao longo da última década está relacionada à melhora na identificação e no registro dos crimes pelas autoridades. Porém, segundo o Fórum, o aumento recente não pode ser explicado apenas pela mudança na forma de registrar os casos. Outros tipos de violência contra as mulheres, como ameaça, perseguição, violência psicológica, agressão e tentativa de feminicídio, também vêm aumentando.
Os números deixam claro que o feminicídio não é um acontecimento isolado. Na maioria das vezes, ele representa o ponto final de uma sequência de ameaças, controle, agressões e tentativas de impedir que uma mulher tenha autonomia sobre a própria vida.
Às famílias, amigas e amigos de Giselle Alves e Veronica Lopez, deixamos nossa solidariedade.
Que seus nomes não sejam reduzidos aos crimes que interromperam suas vidas.
Giselle e Veronica foram skatistas, filhas, amigas e mulheres com histórias, sonhos e caminhos próprios. Elas fizeram parte da cultura do skate e deixaram marcas que permanecem nas pessoas que dividiram pistas, sessões e momentos com elas.
O skate precisa ser um espaço de liberdade, acolhimento e segurança. Não podemos ignorar a violência quando ela acontece dentro ou fora das pistas.
Por Giselle, por Veronica e por todas as mulheres vítimas da violência de gênero: memória, proteção e justiça.

ESTÁ PRECISANDO DE AJUDA?
Você não precisa enfrentar uma situação de violência sozinha. Pessoas próximas também podem denunciar e buscar orientação.
Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher
O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O canal oferece acolhimento, orientação sobre direitos, registra denúncias e informa onde encontrar Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, Casas da Mulher Brasileira, centros de referência e outros serviços.
WhatsApp do Ligue 180: (61) 9610-0180
Em caso de perigo imediato, ligue 190 e acione a Polícia Militar.
Caso a vítima esteja ferida, também é possível acionar o Samu pelo 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. Outra opção é procurar uma Delegacia da Mulher ou a delegacia mais próxima.
Não espere a violência chegar ao extremo. Procure uma pessoa de confiança, preserve provas de ameaças e agressões quando isso puder ser feito com segurança e busque atendimento especializado.
CRÉDITOS
TEXTO DE LORENA NUNES