O skate costuma ser associado a quem começa cedo, ainda na infância ou na adolescência. Mas, na prática, muita gente descobre essa paixão em outros momentos da vida.
Foi justamente esse assunto que surgiu em uma conversa no grupo do Divas Skateras no WhatsApp. Entre relatos e experiências, algumas integrantes compartilharam quando começaram a andar de skate e como foi descobrir essa prática em uma fase mais madura da vida.
A conversa acabou virando um espaço para compartilhar trajetórias, inseguranças e também aquela sensação boa de perceber que nunca é tarde demais para começar algo que você sempre teve vontade de fazer.
Quando falamos de skate, muitas vezes ainda existe a ideia de que é preciso começar cedo para realmente fazer parte da cena. Mas skate não é só competição, alto rendimento ou aprender manobras cada vez mais difíceis. É também diversão, liberdade, amizade, desafio pessoal e a experiência de evoluir no próprio ritmo.
Para conhecer um pouco mais dessas histórias, o Divas convidou algumas das mulheres que começaram a andar mais tarde para compartilhar suas experiências.
1 – Antes de começar a andar de skate, você já tinha vontade ou o skate apareceu na sua vida de forma inesperada?
Estefânia Silva: “O skate surgiu na minha vida quando meu filho ganhou um skate semi novo, com seus 7 anos. Não éramos ligados em skate, não tinhamos referência e então o guardamos. Alguns anos depois, na pandemia, com restrições de contato, lugares, desempoeirei o skate e comecei a incentivar meu filho a andar na pista local.
Esporadicamente íamos a pista. Ele levava jeito, mas preferia ficar fazendo parkour pela pista, do que andar em si. Sempre fui de experimentar coisas novas e resolvi subir no skate, em um desses dias que meu filho demonstrou pouco interesse e a mágica aconteceu.
Não desci mais. Fui conhecendo referências das meninas que andavam de skate em minha cidade, os meninos me ensinando a melhorar o skate e me dedicando mais constantemente a andar. Meu filho, desistiu. Foi fazer outro esporte. E eu arrumei um tempo para seguir andando.“

2 – Em algum momento você sentiu que era tarde para começar? Como lidou com esse pensamento?
Stéfany Caroline – 33 anos: “Tive contato com o skate “tarde”, aos 19 anos, através de alguns amigos que andavam. Depois de um tempo convivendo nesse meio despertei a vontade de andar. Já tinha uns 22 anos e me questionei se isso era pra mim pq fazia faculdade, trabalhava, não via nenhuma menina andando e sentia que já estava tarde para começar. Sofri alguns preconceitos vindo de meninos, mas tiveram outros que me incentivaram.
Comecei a andar no Bancário, lá atrás, meio escondido pq tinha vergonha, na pandemia comecei a andar com uma amiga que também estava começando, a Brenda, essa foi a virada de chave, juntamos nossas inseguranças e uma ajudava a outra, foi quando evolui um pouco e criei mais confiança e fui conhecendo outras amigas que me ajudaram muito.
Nesse caminho parei de andar algumas vezes, hoje sou mãe atípica e realmente é muito difícil andar com todas as obrigações, mas quando dá eu me aventuro. Minhas amigas hoje trabalham e todas são mães e vejo uma geração que se nega a largar o skate mesmo com todas as adversidades.”
3 – O que o skate trouxe para a sua vida depois que você decidiu começar?
Gabriela Pomarino – 48 anos: “Liberdade. Aos 48, eu já poderia ser a vovozinha que imaginava que seria nessa idade quando criança. Em vez disso, resolvi aprender a andar de skate há uns 4 anos. Por isso liberdade: entender que a vida não precisa seguir o roteiro que escreveram para a gente.“


Cada trajetória é diferente. Tem quem queira aprender apenas a remar com segurança, quem sonhe com a primeira manobra, quem encontre no skate uma nova forma de se movimentar e quem simplesmente queira sentir aquela liberdade de andar sem precisar provar nada para ninguém.
E talvez seja justamente essa uma das melhores partes do skate: não existe uma única maneira de vivê-lo.
Começar mais tarde não diminui a experiência, não torna ninguém menos skatista e muito menos significa estar atrasada. Cada pessoa chega ao skate com sua própria história, seu corpo, seus limites e seus objetivos.
A idade pode mudar a maneira como alguém aprende, se arrisca ou encara uma sessão. Mas ela não precisa ser uma barreira.
Se existe vontade de começar, comece. No seu tempo, respeitando seus limites e comemorando cada pequena evolução!
CRÉDITOS
FOTOS DISPONIBILIZADAS PELAS ENTREVISTADAS
TEXTO DE LORENA NUNES